Na escola, o clima era de festa. Era o meu primeiro trabalho e como a revista é pra jovens, claro que eu saberia lidar com os assuntos.. o único problema era as fotos. Estava com medo de que ficassem horríveis e que eu estragasse toda a matéria, mas ainda bem que meus quatro conselheiros sempre me faziam esquecer qualquer pensamento negativo. Como sempre, estava mtmt preparada, nada de mais, afinal eu sempre andei com roupas e outras coisas dentro da bolsa. Esperava intensamente pelo último toque, aquele que me traria a liberdade.
Quando saí do colégio, havia uma van, com o logo da revista. Fiquei impressionada, mandaram vir me buscar. Mais opa, eu não estava pronta ainda! Fui falar com o motorista e ele me disse que eu ia me arrumar lá. Fiquei mais tranquila. O telefone toca, e é uma das duas meninas que vão fotografar comigo, conversamos bastante e estávamos muito esperançosas, afinal iriamos conhecer os três meninos mais bonitos que também trabalhavam lá, só que em outro 'setor'. Aproveitei pra ligar pras minhas melhores amigas, Sam, que eu ainda não conhecia porque morava longe de mim e Sophie, que morava mais próximo, mas estavamos sem oportunidades pra nos conhecer, elas gritavam muito e estavam felizes por mim, pois sabiam que esse era o meu sonho. Eram duas das únicas garotas que ainda gostavam de mim.
Chegamos. Coração à mil quilômetros por hora, e ficava cada vez pior. Entrei na redação e avistei logo Marianna, uma das meninas que iria fotografar comigo. Ela veio a mim, me abraçou e pude sentir que ela estava do mesmo jeito que eu. Depois, vimos Carol, a outra menina, e fomos até lá, para abraçá-la também. Esperávamos por Júlia, a repórter, enquanto isso, fomos nos arrumar. Quando acabamos, lá estava ela, com uma caixinha.. teriamos que sortear quem seria o nosso par nas fotos, porque nós a tirariamos separadamente até um certo ponto. Carol foi a primeira, e tirou o nome de Eric, Marianna puxou Lucas e eu, Harry.
Estava com vergonha, porque dos três, Harry era o que mais me atraía. E se ele não gostasse de mim?, era a única pergunta que vinha na minha cabeça. Eu tinha que falar com Pietro, tinha que me acalmar porque ele já estava prestes a chegar. Eu tinha que me mostrar forte, madura e interessante. Não podia ser escandalosa, fútil e sem graça. Esperaria por ele, da mesma forma que alguém espera um amigo querido, ou menos que isso. Meu coração estava aos pulos e a respiração ofegante. E antes que eu achasse que não podia piorar, ele entrou.
Só alegria. Era esse o momento. Parecia que éramos amigos de infância, daqueles que dormem na casa um do outro, que são cumplices. Todo aquele medo tinha desaparecido e aquelas foram as melhores fotos que eu já tirei na vida. Ele era bem divertido e sempre que ficávamos sem pose e sem assunto, sempre inventava algo que me custava muitos risos. Mas havia alguma coisa errada, não era só um sentimento de amizade aparecendo, era mais que isso. Algo quase impossível de controlar, mas eu conseguia. E eu não sabia se era impressão, mais eu reparava o mesmo nele. Será?
Fizemos uma pausa, pra um breve lanche. A nossa fotografa foi trocar o filme da máquina e nos deixou lá, sozinhos. A conversa mudou o rumo, começamos a falar sobre amores antigos, e ele se surpreendeu quando eu disse que nunca me apaixonei, mas que achava que estava sentindo isso pela primeira vez. Ele me disse que fazia tempo que não amava ninguém, mas que estava descobrindo o significado de se apaixonar, novamente. Houve uma breve troca de olhares, eu abaixei a cabeça e pensei, mesmo sendo uma grande bobagem, que seria eu. Mas claro que eu estava errada, só alguém como eu, pra se apaixonar por uma pessoa desse jeito, com certeza ele não era assim.
Ela estava demorando, e nós já estavamos ficando sem assunto. Dessa vez, nenhum fez questão de procurar por outro, ficamos nos olhando até que ele consegui dizer: - Lembra que eu disse que estava descobrindo o amor de novo? - assenti com a cabeça, e ele continuou: - Eu posso desabafar com você? - assenti novamente, e ele disse: - Pode parecer bobagem, mas eu acho que.. Posso fazer uma coisa? - fiquei meio sem saber o que dizer, mas se isso o faria melhor, eu disse que sim. E ele se aproximou, olhou nos meus olhos e me deu um beijo daqueles de tirar o fôlego. Mas não era um beijo tão intenso, mas mesmo assim, me faltava o ar quando acabou. Ele me pediu desculpas e disse que precisava fazer isso. Eu ainda estava em choque.
Quando a fotógrafa chegou, se deparou com uma cena que ela não esperaria nunca. Um beijo. Ela nos perguntou o que havia, só conseguiamos rir. E depois de umas três tentativas, conseguimos dizer que, estávamos namorando. Ela ficou surpresa e nos perguntou se já nos conhecíamos, balançamos a cabeça, dizendo que não. Demorou uns vinte minutos pra que ela entendesse que foi amor à primeira vista e nós já nos amávamos como se fossem anos de namoro. Nos deu apoio, e pediu pra que tirássemos uma foto, de acordo com a nova situação em que estávamos. Bateu aquela vergonha, mas fizemos o que ela pediu.
Tinha acabado o nosso tempo juntos, e nossos pares iam mudar. Eu iria tirar foto com o Eric, e ele com Marianna. Mas eu não queria deixá-lo, nem ele queria se separar de mim, mas isso devia acontecer. Não conseguiamos nos soltar, e já estavam me chamando, dei o último abraço e o último beijo. Quando estava indo embora, Harry me puxou, e me abraçou de novo, me deu um beijo na testa e sussurrou em meu ouvido: - Avisa pro Eric, que você já tem namorado! - e riu. Eu não me contive e ri também, afinal, tinha chegado até lá solteira e um pouco mais de uma hora depois, já estava comprometida. É, muita coisa estava pra mudar ainda, e eu estava amando tudo isso.
R.N.
to be continued
Nenhum comentário:
Postar um comentário